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Livro: Assassinato no Expresso Oriente



Título Original: Murder on the Orient Express.
Autora: Agatha Christie
Páginas: 191 páginas
Editora: L&PM
Também: 1934
Sinopse: É perto da meia-noite quando a neve acumulada sobre os trilhos interrompe inesperadamente a jornada do Expresso Oriente, o mais luxuoso trem de passageiros do mundo, que liga a Ásia à Europa. A bordo, milionários, aristocratas, empregados – e um ousado assassino: quando o trem é obrigado a fazer uma parada na imensidão branca, um dos passageiros é encontrado esfaqueado. Mas no mesmo trem está ninguém menos que Hercule Poirot. O meticuloso detetive terá de usar toda a sua sagacidade para desvendar o mistério mais célebre de sua carreira.


🚂 

Viajar no Expresso Oriente é um sonho. Contudo, após uma experiência envolvendo um misterioso e um tanto estranho, assassinato, todos os passageiros ficarão mergulhados em um pesadelo.

Uau! É esta a reação que tenho para com este livro. Não consigo explicar com palavras exatas como esta história agradou-me ao ponto de fazer-me recorrer à ela duas ou mais vezes, e mesmo relendo-a e sabendo da revelação final, mais intrigante ficava o enredo, porque a forma como Agatha Christie descrevia seus romances era tão laboriosa e magistral, que fica impossível de não emergir de cabeça na história.

Comprei-o em dezembro de 2020, e apenas agora decidi fazer uma resenha sobre esta obra, pois achei que seria necessário que mais pessoas conhecessem esta joia magistral. Enquanto o lia, sentia realmente como se estivesse a bordo de um vagão de trem, cercada por pessoas com vestimentas do início do século XX. Tal atmosfera foi tão imersiva que até permiti-me desfrutar de uma boa xícara de chá enquanto o lia. Não é a toa que Agatha Christie carrega o título de "A Dama do Crime". Tenha esta alcunha como positiva. Sei que a primeira coisa que veem em mente é aquelas fanfics malditas de donos do morro escritas por garotinhas de doze anos. Oh, céus. Detestável. 

Voltando ao fabuloso livro de Agatha Christie... é como se fôssemos tragados por suas páginas e seu mistério tecido por sua habilidosa mente, e não largamos o livro enquanto não solucionarmos o mistério do assassinato de Ratchett.

O que o assassino do Expresso Oriente não contava era que, Hercule Poirot, o engenhoso detetive belga, estivesse a bordo daquele mesmo trem, e não iria descansar até encontrar uma solução plausível.

Sua fé me comove, meu amigo. 一 declarou Poirot emotivo. 一 Como diz, não pode ser um caso difícil. Eu mesmo, ontem à noite... Mas não falemos disso agora. Na verdade, este problema me intriga. Estava refletindo, não faz nem meia hora, que muitas horas de tédio nos aguardam enquanto estamos presos aqui. E agora... um enigma cai pronto na minha mão.
 (página 40)



Outro ponto bem construído são os personagens, e todos eles, digo todos, possuem mais de uma camada, não se prendem ou se resumem apenas à uma faceta. Existem variados personagens e alguns me fizeram duvidar de sua inocência, fazendo-me pensar que talvez estivessem atrelados ao caso. Todos eles são extremamente essenciais para a trama, e todos funcionam como um perfeito quebra-cabeças. E quebrar a sua cabeça é o que este livro mais irá fazer. Prepare-se para as reviravoltas e pistas falsas. Senti-me uma verdadeira investigadora, e inclusive fiquei surpresa quando estava desconfiada de sicrano, mas na verdade, era fulano quem tinha planejado tal coisa. 

Poirot fez sinal para que se sentasse. Ela o fez, entrelaçando as mãos e esperando placidamente até que ele a questionasse. Parecia uma criatura plácida no conjunto, de uma respeitabilidade eminente, talvez não demasiado inteligente. 
(página 114)

Ratchett, outrora conhecido como Cassetti, no passado cometeu um crime hediondo. Sequestrou e assassinou uma garotinha, a pequena Daisy Armstrong, e a Justiça o deixou impune, libertando-o para a ira e revolta de muitos. A mãe de Daisy, com todo o choque da ocasião, estava grávida e deu à luz a um bebê natimorto, e ela própria faleceu algum tempo depois. O pai de Daisy, afundou-se em depressão e cometeu suicídio. Cassetti destruiu uma família inteira e mudou de nome e seguiu a sua vida. Milhares ficaram revoltados com o caso, então, não seria de se estranhar que alguém estivesse naquele trem, nos dias e horas certos, para fazer justiça com as próprias mãos. Ao saber dos crimes que o morto cometera, pouco importei-me com ele, que de fato tivera uma morte cruenta (doze facadas desferidas contra ele), e apenas queria saber quem estava por trás de tudo aquilo.

É um livro que nos levanta várias questões: seria o assassinato de um assassino, a forma de Justiça correta? Seríamos como ele? E quando a Justiça falha? Devemos nós mesmos Fazê-la com nossas próprias mãos?

E o desfecho final é simplesmente incrível. Quando o li, quase que caiu-me o queixo. Obviamente, não darei spoilers para não estragar a essência, e é um daqueles finais que ninguém espera. Surpreendente.

Acrescento, também, que para criar este livro, Agatha Christie inspirou-se no caso do rapto do bebê Lindbergh, que foi considerado naquela época como o crime do século.

Acredito que este livro deva ser lido por todos. Uma joia do suspense e investigação criminal. Foi um deleite ler este livro, e apesar de haver uma adaptação cinematográfica recente que não faz jus a esta grande obra. Fique com a película dos anos 70 que é muito melhor. Embarque nesta viagem e tente desvendar o mistério antes que seja tarde.



Sobre Agatha Christie: Nascida como Agatha Mary Clarissa Miller, nasceu em 15 de setembro de 1890, em Torquay, Inglaterra. Seu pai, Frederick, era um americano extrovertido que trabalhava como corretor da Bolsa, e sua mãe, Clara, era uma inglesa tímida. Agatha era a caçula de três irmãos, estudou basicamente em casa, com ajuda de tutores. Também teve aulas de canto e piano, mas devido ao seu comportamento introvertido, não seguiu carreira artística. Seu pai morreu quando ela tinha 11 anos, o que a tornou mais próxima de sua mãe. 

Em 1912, conheceu Archibald Christie, seu primeiro marido, e casaram-se na véspera de Natal. Tiveram uma única filha, Rosalind, nascida em 1919. 

O misterioso caso de Styles foi o romance que aconteceu a primeira aparição de Hercule Poirot. O detetive belga foi o único personagem a ter o obituário publicado pelo The New York Times.

Em 1926, ocorreram duas tragédias: a morte de sua querida mãe e o divórcio do marido, que trocou-a por outra mulher. É dessa época também um dos fatos mais nebulosos da vida de Agatha: logo depois da separação, ela ficou desaparecida por 11 dias. Entre as hipóteses, um surto de amnésia, um jogo de marketing, ou um choque nervoso. 

Em uma de suas idas ao Oriente Médio, conheceu o arqueólogo Max Mallowan, e casou-se com ele em 1930. A escritora passou a acompanhar o então marido em várias expedições arqueológicas, e nessas viagens, colheu material para seus livros, 

Faleceu em 12 de janeiro de 1976.

A paixão por conhecer o mundo, acompanhou a escritora até o final de sua vida.

(retirado do prefácio do livro em questão)



Este livro foi comprado por mim. Não é um livro-parceria.



Comentários

  1. Já estava com saudades das tuas resenhas.

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  2. Você escreve com tanta classe... invejinha do bem.

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  3. Minha professora de Literatura do sétimo ano nos recomendou esse livro. Mas ela recomendou com tanto mal gosto que passou batido. Vou dar outra chance graças a você.

    Beijos. 💋

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  4. Toca guitarra?? 😱😱 Amoooooo

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  5. Resenhas perfeitas, como sempre.

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